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Pesquisa

Pesquisa da UFTM avalia sintomas persistentes da dengue em pacientes de Uberaba

Publicado: Quarta, 19 de Abril de 2017, 14h39

O número expressivo de casos de dengue registrados em Uberaba, e os relatos de pacientes que apresentaram sintomas da doença acima do prazo considerado habitual, serviram de motivação para uma pesquisa realizada pela professora do Curso de Medicina da UFTM, Luciana de Almeida Silva Teixeira. De acordo com os resultados da pesquisa, muitos dos pacientes apresentam sintomas persistentes da doença, alguns com duração superior a seis meses.

Pesquisadora destaca que foram identificados casos de pacientes que apresentaram sintomas persistentes por mais de seis meses

De acordo com a pesquisadora, o tempo estimado pela Organização Mundial de Saúde – OMS para que o paciente apresente os sintomas da infecção pelo vírus da dengue é de 14 dias. Nesse período, os pacientes podem apresentar sintomas como febre, fraqueza, prostração, dores de cabeça, entre outros. Após a epidemia de dengue em Uberaba nos anos de 2006 e 2007, em atendimento no Ambulatório de Especialidades do Hospital de clínicas da UFTM foram identificados pacientes que se queixavam de sintomas persistentes após os 14 dias. “Uma fala me chamou a atenção, um paciente disse: "Depois da dengue, nunca mais fui o mesmo...", então com o objetivo de investigar a frequência com que isso ocorria, realizamos um estudo de Iniciação Científica, no qual entrevistamos 118 pacientes com antecedente de dengue. Destes, 65,2% relataram persistência de sintomas atribuídos à dengue por mais de 14 dias, sendo os mais frequentes fraqueza, sonolência e perda de apetite”, explicou a professora.  A pesquisa e os resultados foram publicados em 2010, no Caderno de Saúde Pública, com o título: "Persistência dos sintomas de dengue em uma população de Uberaba, Minas Gerais, Brasil".

Os dados levantados serviram de motivação para novas pesquisas que ajudaram a compreender melhor os sintomas e o perfil imunológico de pacientes que tiveram dengue. Em 2012, foi criado um ambulatório de dengue e iniciada nova pesquisa. “Ao publicarmos essa pesquisa citada, foi levantada como limitação da mesma o fato dos pacientes terem sido entrevistados e os dados estarem sujeitos à memória dos pacientes. Assim, iniciamos outra pesquisa com a finalidade de acompanhar os pacientes com dengue ao longo do tempo no ambulatório, e assim termos mais confiabilidade no registro dos sintomas persistentes. Essa nova pesquisa foi a dissertação de mestrado da médica Fabiana Prado dos Santos Nogueira cujo projeto intitulava-se: Persistência dos sintomas de dengue: Avaliação prospectiva dos pacientes atendidos no Hospital Escola da UFTM. Como resultado, foram avaliados mais 113 pacientes, dos quais 54% apresentaram sintomas persistentes e 6% tiveram sintomas com duração superior a seis meses”, acrescentou a professora.

54% dos pacientes apresentaram sintomas persistentes e 6% tiveram sintomas com duração superior a seis meses

De acordo com a pesquisadora, os sintomas persistentes mais frequentes identificados na nova pesquisa foram dor no corpo, fraqueza, queda de cabelo, perda de memória, redução da capacidade de realizar esforço físico, dentre outros. “Os sintomas persistentes foram associados a maior gravidade da doença e idade mais avançada”, acrescentou a pesquisadora.  Essa segunda pesquisa gerou um novo artigo que está em avaliação para publicação.

Diante dos dados apresentados na segunda pesquisa, uma nova proposta foi colocada em andamento. “O acompanhamento dos pacientes com dengue nos trouxe mais algumas informações e dúvidas. No estudo prospectivo, chamou atenção o fato de que, dos 52 pacientes avaliados e classificados como portadores de dengue com sinais de alarme ou dengue grave, apenas nove referiram ter apresentado episódio prévio de dengue documentado. Além disso, o número de episódios de dengue não pôde ser associado à presença de sintomas persistentes por falta de confiabilidade na informação sobre a confirmação da doença previamente. Para esclarecer essas questões, propusemos o estudo: Perfil clínico e imunológico de indivíduos com episódios sucessivos de dengue, que está em fase de execução”, acrescentou Luciana.

Todas as pesquisas mencionadas nesta matéria foram realizadas com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical e Infectologia, do Laboratório de Imunologia, e do Hospital de Clínicas da UFTM.

Fotos: Edmundo Gomide/UFTM

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