Audiência Pública discute Diagnóstico da Pesquisa e Pós-Graduação e marca o lançamento da Plataforma Capivara
Público presente na audiência da PROPPG - Auditório Topázio. Foto: PROPPG
Na tarde de 7 de maio (quinta-feira), logo após a sessão do Conselho de Pesquisa e Pós-Graduação (COPPG), a UFTM realizou a Audiência Pública sobre o Diagnóstico da Pesquisa e da Pós-Graduação, primeira de quatro etapas do Planejamento Estratégico da Pesquisa e da Pós-Graduação (PEPPG).
Conduzida pela PROPPG, a audiência reuniu docentes, discentes, técnicos-administrativos e gestores em um espaço aberto de escuta e debate.
Na abertura, o Pró-Reitor Prof. Dr. Julio Cesar Gonçalves situou a audiência como o primeiro movimento de um ciclo em que a comunidade ajuda a definir rumos, metas e indicadores. Lembrou que a avaliação da pós no Brasil está mudando: a CAPES caminha de uma lógica predominantemente quantitativa para uma avaliação cada vez mais qualitativa, atenta ao impacto social e à relevância da pesquisa, movimento que dialoga com a missão da UFTM, voltada à “geração, difusão e promoção de conhecimentos” e à “melhoria da qualidade de vida da população”. Reforçou ainda que esse esforço não para no nível institucional: cada PPG precisa ter seu próprio planejamento estratégico, hoje exigência formal da CAPES.
Um diagnóstico em seis dimensões
A apresentação organizou os dados em seis blocos: produção científica, participação discente, programas de pós-graduação, Editora UFTM, infraestrutura e percepção da comunidade. Entre os principais achados:
- A produção científica cresceu de forma consistente entre 2004 e 2025, mas é fortemente concentrada: cerca de 76% dos docentes publicam dois artigos ou menos por ano, enquanto os 10% mais produtivos respondem por ~50% dos artigos.
- A iniciação científica vive expansão: a participação de alunos em IC saltou de 2,76% para 6,24% em seis anos.
- Os PPGs stricto sensu seguem em crescimento, e os dados mostram que estar credenciado em um PPG multiplica oportunidades de orientação, financiamento e produção.
- A Editora UFTM apresentou os resultados dos últimos doze meses, reforçando o caminho da pesquisa ao leitor.
- Em infraestrutura, os MultiLabs (multilab.uftm.edu.br) consolidam-se como espaços compartilhados. Em captação Proinfra, a UFTM aparece em 3º lugar entre as 11 IFES mineiras, atrás apenas de UFMG e UFV. Já no Edital Universal FAPEMIG 2024, ficou em último lugar em número de submissões entre as mesmas 11 IFES. A leitura é direta: o aproveitamento por projeto é alto, mas precisamos submeter muito mais.
- A escuta da comunidade apontou que os temas vêm em pacotes, não isolados.
A escuta da comunidade em detalhe
O diagnóstico ouviu a comunidade de duas formas: por perguntas com escala (importância × satisfação) e por perguntas abertas, mais de mil manifestações em texto livre, vindas de docentes, discentes de graduação, pós-graduandos e técnicos-administrativos.
Um dos resultados apresentados foi a rede de concorrência de temas, construída a partir de 613 respostas codificadas. Cada círculo é um assunto citado pela comunidade; as linhas mostram quando dois temas aparecem juntos numa mesma resposta, quanto mais grossa a linha, mais frequente a combinação.

Rede de coocorrência de temas. Fonte: apresentação do diagnóstico / PROPPG
No mapa, o financiamento ocupa o centro, foram 245 menções, presente em quase metade das respostas. Quando a comunidade fala de infraestrutura, de concentração entre áreas ou de internacionalização, fala também de verba. O recado é claro: o financiamento é o fio que costura quase todas as outras pautas.
Em torno desse núcleo, a leitura da rede revela três pacotes de temas que caminham juntos: o pacote material (financiamento, infraestrutura, bolsas, burocracia); o pacote externo (inserção social, divulgação, internacionalização, concentração entre áreas); e o pacote pessoa (sobrecarga e equidade). A imagem deixa claro que esses pacotes não são compartimentos estanques, eles se cruzam e se reforçam.
A conclusão é direta: a política institucional precisa pensar em pacotes, não em pautas avulsas. É esse desenho integrado que o Planejamento Estratégico busca construir.
Plataforma Capivara
O grande marco da tarde foi o lançamento oficial da Plataforma Capivara (capivara.uftm.edu.br), ferramenta voltada à organização de dados institucionais para apoiar pesquisadores, docentes e gestores na tomada de decisão.
Foi desenvolvida no Mestrado Profissional em Tecnologia e Inovação (PMPTI) da UFTM, pelo discente e técnico da PROTIC Ulisses Fagundes de Sousa, sob orientação do Prof. Dr. Julio Cesar Gonçalves. Em sua fala, a Reitora Profa. Marinalva Vieira Barbosa destacou a Capivara como exemplo concreto de pesquisa aplicada que retorna à instituição e reforçou o investimento na capacitação dos técnicos-administrativos como caminho estratégico para a universidade.
Por que “Capivara”?
A capivara é o maior roedor do mundo, brasileiríssima, e famosa por conviver em harmonia com praticamente todas as espécies que cruzam seu caminho. Na UFTM, “puxar a capivara” ganha um sentido novo: aqui se puxa a ficha acadêmica da instituição, produção científica, programas e indicadores. Assim como a capivara reúne diferentes espécies em torno do mesmo rio, a plataforma reúne, em um só lugar, dados que antes viviam dispersos.
Em fase de consolidação
A plataforma está em fase de consolidação, com refinamentos a partir do retorno dos primeiros usuários. A PROPPG agradece aos professores Marcos Vinícius da Silva, Monica Caroline Pavan Cassel, Rosemberg Ferracini e Michele Maldonado pelas contribuições nos testes iniciais.
Próximos passos
O relatório completo do diagnóstico será enviado a toda a comunidade UFTM, garantindo que os dados apresentados na audiência fiquem disponíveis para consulta e debate. Em paralelo, cada Programa de Pós-Graduação começa a construção do seu próprio planejamento estratégico, alinhado ao plano institucional, em sintonia com a exigência da CAPES no Quesito 1 da Ficha de Avaliação.
O próximo encontro do ciclo está marcado para 12 de junho e será dedicado à Consolidação e Matriz SWOT. Para apoiá-lo, será disponibilizado um novo instrumento de consulta colaborativa, que vai mobilizar a comunidade na identificação coletiva de forças, fragilidades, oportunidades e ameaças da pesquisa e da pós-graduação na UFTM.
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